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Escrevendo Belas Artes!
Conheçam a arte escrita de Jair F. da Silva Jr., membro da Academia de Letras do Brasil - ALB.
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ESCREVENDO BELAS ARTES!




QUILATES DE UM PASSADO RECENTE
 
Sobre o balcão extenuado,
O ar velho respirando de uma história
Por cada relíquia à minha volta contada,
As mãos à fronte levo e não mais sinto
Do metal o toque frio que à pele acariciava!
 
Sem pensar – tomado pelo hábito –
A mirar um dedo em especial me ponho,
E uma leve depressão na pele vejo
– marca alva que alvo de ingênuas
esperanças e sonhos um dia foi
junto à flecha de um deus grego!
 
Um áureo pacto, uma aliança,
Marcas profundas pode deixar
– não pensei que tão pequena marca
o poder mágico de invocar tamanha
dor e sofrimento pudesse possuir!
 
Do ouro já não lembra mais o dedo,
Mas persiste a malfadada marca
Como uma sombra, um fantasma
Do passado, um espírito obsessivo,
Um feitiço – uma terrível maldição!
 
Símbolo da eterna aliança para mim,
Para ela um belo grilhão dourado!
Ouro 24K para mim, para ela nem 9K
– na verdade, pirita o considerava!
 
Com o amor em quilates pesado,
Seu seio adornei com um colar raro,
Por gotas de água-marinha formado,
Como símbolo de felicidade,
Fidelidade e amor verdadeiro,
Mas quando ao frio mármore o atirou,
Como lágrimas a se espalharem
Pelo nobre antiquário o senti!
 
Na dor que escorre e inunda imerso,
A neve caindo senti como cristais
Que de seu gélido coração saiam!
 
Para que a dor cessasse
E para meu coração conservar,
Ansiei congelar, mas percebi
Que da água marinha o sal
O congelamento retardava e enquanto
Os olhos marejassem o mar não secaria!
 
O pranto contive e a evaporação
Da água esperei para meu sal
Com doçura soprar, mas alguns
De seus cristais protegidos
Permaneceram no interior da delicada
E tentadora ostra, o sabor realçando-lhe,
Provocando-me, a acrescentar gotas
De limão convidando-me para sua
Degustação, calcificando e origem dando
À pérola desse Poema – amor e desejo
que de inspiração e adorno ainda vivem!
 
Prenuncia essa margarita poética
Um perfumado ramalhete de margaridas
E uma volta comemorada com margarita
Em um cristalino som de um brinde?
Tudo “acabará em pizza” – de margherita?
 
Ao mármore lanço as taças e as flores,
As margaritas, as guloseimas e a ostra:
Dispenso seus prazeres efêmeros;
Dispenso seus falsos adornos;
Dispenso seus falsos amores!
 
Limparei o sal das feridas abertas
no peito – secarei as salmouras!
Aliviarei minha dor e conservarei
Meu coração no cruel desprezo
Cristalizado que cai e acumula
– no gelo do seu desamor!
 
 
O ARTESANATO DA JOIA
 
Às vezes sinto minha preciosa
Vida tão emaranhada quanto
Uma joia em filigrana etrusca,
E isso de falácia não se trata,
E de insignificâncias não trato,
Mas por vezes enroscada a vejo
Em pontos pequenos e anódinos
Ao longo do fio da vida que me pertence
– arte grega de uma deusa fiandeira,
tão perfidiosa quanto a fiandeira viúva-negra!
 
Recorri ao Divino Designer e Artesão,
Que pela antiga fundição do melhor ouro
Pôde trabalhar a mão o lingote puro,
Cinzelando minha forma cuidadosamente
E cravejando as gemas de minhas virtudes
Perfeitamente lapidadas em brilhante coração
E brilhante radiante – meu caráter jamais perdeu
a translucidez diamantina, mas ao longo da vida
as gemas danifiquei, e na restauração
de sua lapidação tenho trabalhado!
 
Ao ser por Ele atendido,
A artesã e fiandeira vi tecendo
O fio de ouro da minha vida
– com o qual fabrica a joia
dos meus dias – de um modo
Distinto, ornando-o com gemas
Condizentes com o design original
E nobreza da joia, pois fui cinzelado
Ao estilo barroco, e não apenas
Como um adorno para a vaidade
Feminina da breve Belle Époque! 

 
Com Ágata, vivo, protegido,
Poderoso e afortunado me senti,
Mas desenvolver mais que uma
Agradável e profunda amizade
Por ela não consegui!
 
Com Esmeralda, jovem e amado
Incondicionalmente me senti,
Mas ao fervilhante amor caribenho
Não fui capaz de corresponder!
 
Pela alegria e felicidade da bela,
Pequena e delicada Morganita,
Enfeitiçado fui, mas seu amor
De fogo-fátuo se tratava,
E de miragem malaguenha
– em língua italiana
com sotaque Inglês –
Tudo não passava!
 
Uma paixão intensa com a cálida
E irresistível Rubi vivi, mas seu brilho
Espanhol não bastou para elevar
As chamas da carne à luz do espírito!

A lituana Amber, tão elétrica
E quente, acelerava meu coração
E o reanimava – as vezes em arritmia!
Quando perto de minha pele a sentia,
Um frêmito percorria meu corpo
Que arrepiava com a eletrostática,
E quando encostava sentia seu calor!
Era uma paixão muito perigosa,
Em alta voltagem, mas teria sido
Um amor seguro, pois o preservaria
fossilizado para sempre no seio
– uma combinação perfeita,
mas não tive a sorte de amá-la!

 
As onze virtudes de Jade conheci
E com ela perfeita a vida seria,
Mas sem amor não há perfeição
– não pude penetrar sua dureza!
 
A uma preclara dama árabe
Me entreguei inteiramente fascinado
Por seus safíricos olhos delineados
Com a elegância do lápis-lazúli,
Mas apesar de todo o seu amor,
Percebi que apenas sua rutilância
E seu véu de mistérios me encantavam!
 
Por fim, meu amor refletido vi
– a senti-lo voltei – na singeleza
Do ônix dos olhos de uma santa
Mulher de um passado distante,
E com ela protegido estarei
Dos sortilégios da divina fiandeira
E de sua terrível serviçal: uma pedra barata
E em estado bruto, do fio da vida já retirada
– sombra sinistra de um passado sofrido!
 
Gemas nobres que passam
Pelo fio de ouro da vida:
A joia perfeita para adornar
A alma e a fortuna alcançar!
 
 
ANTIQUÁRIO DA ALMA
 
Sinto-me velho, antigo;
Como se a história do mundo
Pesasse sobre a alma!
 
Meu coração se parece
A uma peça de antiguidade
– altamente colecionável –
E minha alma a um grande
E luxuoso antiquário!
 
Não tenho um coração
Velho ou enferrujado,
Mas um coração antigo
E em excelente estado
De conservação, com uma
Bela pátina que o valoriza!
 
É único, muito raro, e perdido
Estava, então só à colecionadora
Certa o entregarei, para que seu seio
Decore qual esplêndido pingente
– a uma mulher que coleciona
corações ou a uma vil negociante
de antiguidades não o entregarei!
 
Uma colecionadora de virtudes
Como sinceridade, fidelidade
E honestidade busco, pois terá
Em meu coração a pureza que ornará
Com esses sagrados itens de coleção
– ou o relicário ideal para guardá-los!
 
Um valor monetário não posso
Pensar para essa antiga peça,
Mas se a pensar em moedas me ponho,
Como um antigo dobrão de ouro
Em “Flor de Cunho” sinto o coração,
Que devido ao descuidado manuseio
Feminino em seu período de circulação,
Será entregue M.B.C; e mesmo vítima
De “cerceio” tendo sido, valor monetário
E colecionístico incalculáveis preserva!
 
Diante da colecionadora certa
Me vejo, e um preço para o antigo
Pingente não consigo estipular,
Pois como inestimável o avalio,
Então um presente de coração será
À pessoa que verdadeiramente
O apreciará, valorizando e cuidando
Como se em seu próprio seio ressoasse!
 
Não estou vivendo um novo amor,
Mas um velho amor, amor antigo
– com cheiro de antiguidade!
 
 
ANIMA ANTIQUA MUSEUM
(Museu da Alma Antiga)
 
Sinto-me preso ao glamour
Das Belas-Artes, então sinto
A alma como um museu
Com o coração em exposição
Qual obra de arte a ser apreciada,
Admirada e cobiçada, mas apenas
Pela curadora do museu tocada
– ninguém pode tocá-lo, mas
com sinceridade toca a todos!
 
Preservo valores antiquados,
Antigos, históricos e perdidos,
Mas belos, como a honra,
A honestidade, a fidelidade
E a sinceridade, além de um gosto
Pelo antigo – mantenho tudo
desenhado, pincelado e cinzelado
em uma exposição de vanguarda!
 
Minha alma Belas-Artes exibe
Do clássico ao contemporâneo,
– expõe de forma um tanto confusa
minha própria História da Arte!
 
Com a emoção expresso
O Classicismo e sua reação
Contrária no Romantismo
De um tempo passado
De tradição e sobriedade!
 
Com minha razão o Impressionismo
E as vanguardas históricas expresso
De um tempo presente passional e emotivo
– de proporções futuras que renovam
as proporções épicas do Classicismo!
 
Com o equilíbrio e a racionalidade
Do Classicismo pensava, mas paixões
E revoltas gritava nas sinuosas
E largas pinceladas do Romantismo!
 
Minhas impressões acerca
Do mundo advêm das cores
À luz do sol em pequenas
Pinceladas soltas, compondo
A ilusão de uma ótica de sombras
Luminosas e coloridas, e dessa
Forma impressiono com meu olhar
– pintura instantânea como a câmera
a capturar o momento em movimento!
 
Meus sentimentos expresso
Nas pinceladas espontâneas
E agressivas de uma paleta viva
Expressionista – por vezes abstrata!
 
Minha realidade vivo através
Das cores do Surrealismo,
Seja pela forma absurda
E injusta com que é retratada
Por uma artista sem sensibilidade
Ou talento, seja pelos sonhos
Ingênuos de um coração
Com esperança pintado!
 
Com Praxíteles, da Vinci, 
Aleijadinho, Rodin e Picasso
Aprendi a dar forma ao denso
Potencial em estado bruto!
 

Fouquet, Tiffany, Cartier e Masriera
Me ensinaram a trabalhar a nobreza
Dos metais e a lapidar as gemas!
 
Em um lado meu coração vejo
No sal das lágrimas esculpido
Por uma artesã sem sensibilidade
Ou talento – cada lasca de dor
que seu cruel cinzel arrancou
o deixou fatalmente mais belo!
 
Essa peça histórica não aprecio,
Mas em meu museu a preservo
Sem para trás jamais olhar
– não serei estátua de sal –
E sem os olhos da artista fitar
– não serei estátua de pedra!
 
Em outro lado meu coração vejo
Em um pingente feito a mão
Por uma renomada designer
E artesã barroca com amor!
 
Com talento e sensibilidade
Essa magna artista ao ouro
Deu forma e nele as virtudes
– em mim lapidadas – do rubi,
Do indomável diamante, da safira,
Da bela esmeralda, da ametista,
Da água-marinha, da fatal granada
E do quartzo rosa cravejou!
 
Das inúmeras falsificações
E imitações é bem distinta,
Pois de uma joia antiga, autêntica
E assinada se trata – seu nome,
da minha mente e do meu coração
nunca saiu, e sua valiosa assinatura
um dia verei em nossa áurica aliança!
 
Meu coração em um canto
Vejo no elétrico calor do âmbar
Báltico lapidado! O eterno amor
Pela magna artista mantenho
Conservado nas profundezas
Dessa joia de milhões de anos,
E àquela falsa artesã que se compraz
Com minha dor, aprisionada mantenho
Próxima à superfície como um inseto
– está na hora da verdadeira artista
com uma nova lapidação removê-la:
com amor dá-se o restauro da gema!
 
 
VERNISSAGE
 
Alguém já sentiu
Uma imagem, uma cor
Ou as cores de uma pintura?
Já ouviu sua voz ou os pigmentos
Metálicos ressoando ao serem
Misturados no coração da tinta?
Já ouviu o que o peculiar cheiro
De uma têmpera tem a dizer?
 
As batidas metálicas ouço
Do quadro em meu peito pintado
Com uma tinta que pigmentos
De óxido de ferro, hemoglobina
E carmim mistura – daí sua forte
tendência a ser parasitado!
 
Nos ossos do peito tenho
O bastidor que minha pele
Estira para servir de alva tela
No lugar de vegetais fibras
– nas camadas mais profundas
fibras de um tecido distinto guardo,
composto por fibras cardíacas
que bastidores tem sido
de um amor secreto e antigo!
 
Essa tela de trama fina
– com meus delicados
sentimentos tecida –
Pinceladas largas e sinuosas
Recebeu dessa grande pintora
Do Romantismo em um passado
Distante, a essa tela dando vida
Com cores vivas e vibrantes!
 
Mas essa trama convertida
Em trama grossa foi pelas tramas
E pela dureza de quem não sabe
Apreciar ou avaliar – muito menos criar –
Arte e simplesmente a tinta derrama
Sobre a tela como sangue espesso
A escorrer – apunhala meu peito!
 
Ela destrói o trabalho ardentemente
Pincelado com pelos de MARTA
Em variados padrões de cores
Quentes compondo uma tela
Com traços de Romantismo
E alguns toques de Surrealismo
– era tudo muito onírico, e falta sinto
das tardes cálidas em minha alcova!
 
Mas uma alma pintada
Com uma tinta que mistura
Os pigmentos púrpura tíria
E azul ultramarino – por isso
tão valiosa quanto melancólica –
Não pode ser derrotada
Pelos atos de vandalismo
De uma mulher inábil,
Cruel e inconsequente!
 
A inspiração e o ânimo perdi,
E o único quadro de minha vida
Que pintei foi uma natureza-morta
– uma reprodução com absinto
em companhia de Van Gogh
nas noites mais sombrias
pintei para amargar e entorpecer
a insuportável sobriedade!
 
Assim sendo, minha amada
Artista devo trazer de volta
À galeria – Marta é sua única
e verdadeira proprietária!
 
Quem melhor para restaurar
O quadro que a própria pintora?
Quem cuidará melhor da galeria?
 
A ela dei liberdade criativa,
E ao apreciar a conclusão
Do restauro, sinto aprimorada a obra
– do quadro mudou a perspectiva,
e as antigas fugantes já não vejo!
 
Totalmente renovado, pronto
Para exposição estou, muito
Diferente da obra de arte original
– todos apreciarão um novo quadro!
 
Os versos me expõem,
Me abrem, me colocam
Em exibição para apreciação;
Me permitem ser visto,
E sair das sombras nesse jogo
De luz e sombras que é a vida
– até a dor transformo em arte!
 
Nessa galeria exponho
Minha arte e meu talento,
Mas assim como o quadro
Restaurado e renovado,
Necessita meu Poema
De alguns retoques antes
De ser envernizado e exposto
– bem-vindos ao meu vernissage!
 
Meus amigos e todos aqueles
Que me apoiam estão convidados
A apreciarem com exclusividade
O que exibirei ao público em geral
Em seu devido tempo – em breve!
 
Acerca-se a reinauguração
De minha Galeria de Arte!
Entregue será minha alma
Para leitura e o meu coração
Que trancado ficava, guardado
E fora de exibição pública,
– fechado à visitação – estará
Exposto e à vista dos delineados,
Ávidos, belos e sedutores olhos
Femininos, que o verão sob o olhar
Cuidadoso da talentosa proprietária
Da galeria – não creio que esteja
Disposta a vender o rubro quadro!
 
Sua beleza trará glamour;
Sua personalidade sedutora
Trará sucesso e popularidade;
Seu coração trará êxtase;
E sua alma – qual musa –
Trará a inspiração necessária
Para passar uma vida inteira
Realizado e ditoso ao seu lado
Em tardes e noites líricas
– cônscias ou oníricas –
Escrevendo Belas-Artes!
 
17/08/2013


 
Nota sobre a fotoAlegoria de “A Escultura”, de Gustav Klimt, pintada em 1889 (lápis aquarelado com realce dourado sobre cartão de 44 x 30 cm, em exposição no Österreichisches Meseum für Angewandte Kunst, em Viena. O artista gostava de utilizar materiais diferentes nas pinturas, como pó de ouro ou de prata).


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Jair F da Silva Jr
Enviado por Jair F da Silva Jr em 18/08/2013
Alterado em 20/10/2014
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